só mais um ponto de vista
un petit croissant
Esses tempos decidi aprender um outro idioma. O primeiro que aprendi foi o inglês, de maneira tão natural, eu, uma ávida consumidora da cultura americana e inglesa queria ser capaz de me comunicar com a maior quantidade de pessoas do mundo possível, estudei e me dediquei, mas sem o gostinho da obrigação, simplesmente porque eu queria e fazia muito sentido. Com 11 anos ao assistir algo em inglês na tv, comecei minha jornada internacional dentro da casa da minha mãe. Sonhava em inglês, pensava em inglês, até que fui viver em inglês. Depois, começando a viver pelas estradas, tantos foram os argentinos no meu caminho, esses que sempre hablan mucho. Intrigada por um idioma tão parecido com o português, mas também rico de sua própria personalidade, fiquei encucada e decidi aprender. Estudei, pensei e sonhei em espanhol, embora não tenha vivido o idioma em sua essência, assim, de forma natural, peguei.
E agora estou aqui, ávida por aprender francês, talvez o mais desafiador até agora, que mania de fazer biquinho tem os franceses! E porque eles não falam como escrevem? Como tudo na frança teve origem em uma revolução, sinto que o idioma também. Mas, minha reflexão nem é tanto sobre como eles falam, mas como funciona o meu mecanismo de aprendizado. O francês não aprendo somente porque acho bonito, mas também como uma porta de entrada pra um mundo de possibilidades. No meu trabalho, falar francês é um terreno fértil. Além disso, não é tão difícil assim, e o senso de humor deles é magnifique.
Com isso, estudo um pouco mais da cultura europeia, e um pouco diferente de nós, eles sendo mais frios são também mais práticos, objetivos e menos sentimentalistas. Não se deve fazer muitos rodeios para falar, dizer o que você pensa por mais que seja duro (acho que mais pra gente) pra eles é a única alternativa, não se emocionam com a verdade, como também não se ofendem com as críticas, até porque nunca vi um povo mais crítico do que os franceses, reclamam até do que está bom.
Mas beleza, enquanto eles reclamam com a boca cheia de queijo de cabra, tomando vinho pra engolir, reclamo deles tomando meu café Pilão. Eu amo as incoerências da vida, porque só são incoerências até que mudo minha perspectiva.
De qualquer forma, sinto que aprendendo outras línguas, leio mais coisas diferentes, aprendendo a ler o que está fora me aproximo de um boa leitura do que esta dentro. Concluo que gosto muito de aprender idiomas principalmente porque o processo requer que eu leia muito antes de falar, e quando falo, falo só o que eu sei, porque não carrego comigo a capacidade de exagerar…