Bruna Sofistinha

crime 01

Eu sou uma criminoza — no sentido mais charmosamente perigoso da palavra. Na flor da idade, diziam que eu devia ser rebelde de cartilha: empoderada em tempo integral, militante por escala, caçadora oficial de símbolos do patriarcado.

Mas eu escolhi outro tipo de revolução. Eu prefiro o sexo.

Enquanto eles se engalfinham em joguinhos de poder, títulos, cargos e egos inflados, eu observo com um tédio quase aristocrático. Essa briga toda por uma coroa que, no fundo, sempre acaba aos meus pés. Eles chamam de domínio. Eu chamo de efeito colateral das minhas curvas.

Existe uma certa superioridade em não disputar o trono quando você já é o desastre natural que derruba reinos sem esforço. Eles fazem discursos. Eu faço silêncios que gritam. Eles querem controle. Eu sou o descontrole que eles fingem não querer.

E no fim, enquanto tentam mandar no mundo… o mundo pede licença pra me desejar.