Victor V

Meu primeiro SaaS

Existe uma diferença enorme entre desenvolver um software e construir um produto. Eu já desconfiava disso, mas resolvi experimentar na prática. E foi assim que nasceu o IndraDesk, meu primeiro SaaS!

O IndraDesk é um sistema de HelpDesk, criado com a ideia de ajudar empresas a organizar seus atendimentos, acompanhar solicitações e oferecer uma experiência melhor tanto para quem atende quanto para quem precisa de suporte.

Mas, como toda boa aventura na engenharia de software, o maior desafio não foi simplesmente fazer as coisas funcionarem. Foi decidir como elas deveriam funcionar.

A stack: menos é mais (quando bem escolhido)

Para desenvolver o IndraDesk, escolhi uma combinação de tecnologias que gosto bastante:

A combinação me permitiu construir uma aplicação moderna, responsiva e com uma arquitetura relativamente simples.

Gosto da ideia de usar ferramentas que resolvem problemas reais sem introduzir complexidade desnecessária. Afinal, complexidade já aparece naturalmente no domínio do negócio. Não precisamos fabricá-la também na infraestrutura.

O verdadeiro desafio é construir um bom produto

Uma coisa que ficou muito clara durante o desenvolvimento: escrever código é, muitas vezes, a parte mais fácil.

O difícil é decidir o que escrever.

É fácil imaginar dezenas de funcionalidades interessantes. Mais difícil é entender quais realmente resolvem um problema, quais devem esperar e quais parecem excelentes ideias apenas porque somos nós que estamos implementando.

Aprendi que construir um produto exige uma disciplina diferente da programação. É preciso resistir à tentação de adicionar funcionalidades só porque conseguimos implementá-las.

Cada funcionalidade tem um custo: desenvolvimento, manutenção, suporte, documentação e, principalmente, complexidade para quem utiliza o sistema.

Um bom produto não é aquele que faz tudo. É aquele que faz muito bem aquilo a que se propõe.

O dilema da inteligência artificial: como cobrar sem cobrar por tokens?

Outro desafio interessante foi pensar na precificação dos recursos de inteligência artificial.

O modelo tradicional de cobrança por tokens faz bastante sentido do ponto de vista técnico. Afinal, existe um custo computacional associado a cada requisição.

Mas será que faz sentido apresentar essa conta ao usuário?

Imagine contratar um sistema e precisar entender quantos tokens gastou, quanto custa cada milhão de tokens e qual será sua fatura dependendo do tamanho das conversas.

Convenhamos: ninguém quer virar especialista em contabilidade de LLM só para utilizar um HelpDesk.

Acredito que o preço de um produto precisa fazer sentido para quem compra, não apenas para quem calcula seus custos de infraestrutura.

O desafio está em encontrar um equilíbrio entre:

A ideia é precificar o valor entregue, e não transferir toda a complexidade operacional para o usuário.

Isso exige bastante cuidado com métricas internas, limites de utilização, monitoramento de custos e margem. Afinal, oferecer IA é relativamente fácil. Oferecê-la de maneira sustentável é outra história.

Onboarding: a primeira impressão não tem segunda chance

Outro aprendizado importante foi perceber que o onboarding não é um detalhe que podemos deixar para depois.

Podemos construir o sistema mais elegante do mundo, com uma arquitetura impecável, código bem organizado e uma infraestrutura escalável. Mas, se alguém entrar pela primeira vez e não souber por onde começar, temos um problema.

O usuário não deveria precisar ler um manual para descobrir como utilizar um produto.

Um bom onboarding precisa responder rapidamente a algumas perguntas:

Mais do que apresentar botões e funcionalidades, precisamos conduzir o usuário até perceber o valor daquilo que acabou de contratar.

A primeira experiência precisa ser simples, intuitiva e, se possível, agradável. Afinal, ninguém acorda pela manhã pensando: "Hoje estou especialmente animado para aprender a usar um novo sistema de HelpDesk".

Produto é uma sequência de boas decisões

Talvez esse tenha sido meu maior aprendizado até aqui.

Construir um SaaS é uma sequência interminável de decisões. Algumas técnicas, outras comerciais, outras relacionadas à experiência do usuário.

É decidir entre desenvolver uma funcionalidade ou melhorar uma existente. Entre adotar uma solução mais sofisticada ou manter algo simples. Entre atender uma necessidade específica ou preservar a coerência do produto.

E nem sempre existe uma resposta tecnicamente correta. Às vezes, existem apenas escolhas com consequências diferentes.

A engenharia ajuda a construir boas soluções, mas é o entendimento do problema que nos ajuda a construir o produto certo.

E agora?

O IndraDesk está no ar!

Ainda há muita coisa para evoluir, ideias para experimentar e decisões para tomar. Mas existe uma satisfação especial em ver algo que começou como uma ideia se transformar em um produto real, acessível pela internet e pronto para ser utilizado.

Também é uma oportunidade de aprender sobre aspectos que normalmente ficam em segundo plano quando trabalhamos apenas no desenvolvimento: precificação, posicionamento, aquisição de clientes, suporte, retenção e tantas outras coisas que fazem parte da vida de um SaaS.

Se você gosta de tecnologia, trabalha com atendimento ou simplesmente quer conhecer o projeto, fica o convite:

Dê uma olhada em https://indradesk.com

E, se encontrar algo que poderia ser melhor, pode falar. Estou construindo o produto e feedback é sempre bem-vindo.

Agora é continuar codando, aprendendo e, principalmente, tentando não transformar cada nova ideia em mais uma funcionalidade para desenvolver no fim de semana. 😁

Até a próxima!