Veda Vitão

Cigarro de artista

Meu Guru diz que maconha acaba com a fé. Eu, como um bom e velho usuário, sempre fingi não entender, nunca levei muito a sério. Mas parei para pensar e realmente ele tem um ponto importante.

Não estou falando em casos médicos, em que o uso é para lidar melhor com um sintoma real. Mas, no caso nosso, de falsa ansiedade, diversão, tédio...

Olha, a fé, enquanto uma dimensão humana, precisa repousar em algo. Vemos casos clássicos e relativamente fáceis de ver é gente materialista, que engana, rouba, desvia dos menos favorecidos somente para o desfrute material e acúmulo. Aí é fácil de ver.

Mas em nós, que nos colocamos como progressistas, abraçamos as diferenças, boa índole, independentes. Pff, óbvio que eu repouso minha fé em algo incrível que eu inventei, o Power Ranger da devoção, cabe onde cabem todos meus desvios, mas conversa fluentemente com católicos, budistas, xamãs. Minha fé é sólida: eu vou fumar maconha, tomar umas, transar loucamente e, de segundo em segundo, eu procuro o resultado da telesena das mídias sociais. E eu gosto de ler sobre zenbudismo no uber indo para o bar.

Mas não. Realmente a maconha, o álcool, a promiscuidade... Tudo isso acaba com a fé, porque a fé é existir naquilo que acreditamos. Fé é ler a Bíblia e tentar seguir Jesus, tentar mesmo. Fé é acordar cedo, fazer esporte para manter a saúde perfeita. Não gerar lixo. Ser gentil E além disso praticar minha religião.

Jay Gurudeva