Veda Vitão

Nome aos bois

Esses dias estava me sentindo feliz, mas não alegre. Não sei, foi assim que eu defini, mas isso me fez pensar em como classificamos as coisas no nosso mundo interno.

O que eu sinto quando, por exemplo, eu compro um item muito caro que eu quero muito? Eu me sinto feliz? Contente ? Alegre? Satisfeito? E a pergunta do milhão: o que eu estou esperando sentir ao comprá-lo? Claro que isso não se atém à compra. Conquistar algo, ficar com alguém, chegar em algum lugar, entrar em um padrão estético... Qualquer coisa, quando eu busco o que eu espero sentir e racionalmente, o que é possível sentir com aquilo.

Quanto à honestidade, é importante no autoconhecimento, né? E refletindo, como é difícil ser honesto. Porque vamos refletir: se eu já tenho um carro e compro outro, na maioria das vezes ele não está "resolvendo um problema de mobilidade", porque esse problema já estava resolvido anteriormente. Logo, ao trocar de carro (por um melhor, nesta ilustração), eu espero algo além da mobilidade. O que é isso?

Ou ainda mais simples, quando com fome, qual a diferença entre comer algo simples em quantidade satisfatória em comparação a um banquete complexo cheio de sabores? O que eu busco com sabores e sensações...

Eu acho que tudo isso é uma busca pela felicidade, inerente à existência. Todos os seres vivem por isso, assim conseguimos domesticar as coisas. A conveniência da felicidade.

Mas aqui é a pegadinha, aqui é onde o nome importa. Aceitamos tudo isso porque trocamos contentamento e satisfação por felicidade. É óbvio de olhar. Se contentamento e satisfação fossem felicidade, não existiria ganância. Chega um ponto em que se chega ao teto da satisfação, de possuir coisas, mas não se tem a paz da felicidade.

Entende o conceito. Felicidade é algo perene, que, quando se alcança, se tem o tão desejado repouso. Isso é tão prazeiroso que não saio daqui por nada. Quem está feliz não se move de lugar, não existe busca, não existe movimento. Mas o contentamento, a satisfação, não têm fim. É um moto-perpétuo: me satisfaço, logo não quero mais. Mas a fome vem e com isso vem a necessidade de movimento para satisfazer-se...