Veda Vitão

O dia que eu me senti velho.

Eu passei um bom tempo da minha vida meditando em "o que torna um ser adulto". Temos várias abordagens pra essa pergunta. Podemos olhar para fisiologia do corpo e dizer que quando o corpo consegue se reproduzir, pode-se dizer que é quando o corpo atinge uma estabilidade e adquirimos "aparencia de adulto". Mas também é bem abstrato. Podemos pensar, como a lei, podemos deliberar um número. Podemos olhar pela perspectiva da responsabilidade social, a partir do momento que eu sustento um processo como uma família, um filho, um projeto. Tantas formas de olhar.

Mas acho que nada disso fez-me sentir adulto. Bem, não sustentei família por muito tempo, meu casamento com enteada durou 3 anos. Em contrapartida fui empresário e, junto com um sócio, gerávamos alguns empregos. Sustentei um processo espiritual, sustentei 12 anos de carreira. Mas nada disso de fato "me fez adulto" ou me fez sentir como adulto.

Olha, eu fui um ser precoce. Comecei trabalhar aos 16 por vontade própria. aos 21 eu tinha 5 anos de carreira. Depois larguei tudo e viajar. Aprendi a ir e vir deste mundo corporativo. Trabalho uns anos, depois viajo outros anos, e assim me fiz. Então, por mais caxias que seja trabalhar com computador, tenho um lado "descolado" que imaginamos "nunca envelhecer". Mas de fato eu não sei pra qual lado essa informação pesa.

Dito tudo isso, estava eu em na minha última viagem, estava em um hostel, e pela primeira vez em meses viajando eu encontrava um hostel com uma quantidade considerável de gente, e a noite tinha um evento e estávamos lá, umas 15 pessoas na flro dos 20 muito poucos anos. Europeu pré-faculdade, ano sabáticos e coisas assim. E depois de bastante conversar eu entendi uma verdade chocante: Os valores, o status quo que eu busco, qual o significado daquela experiência, que a vida inteira viajando sempre foram os valores compartilhados, naquele momento eu percebi que já não era mais. Esta geração, o status quo atual, os valores atuais são novos, modernos. Óbvio que existe um lugar de diálogo, mas eu realizei que "somos de gerações diferentes". Mas mais do que isso, ocupando este lugar de viagem, de mochilar, de explorar, não estou mais "eu", mais meu mundo. Ele está ocupado pela nova geração.

Me choquei em realizar isso. Mas o sentimento é curioso, algo como "É sério que alguém achou algum gosto superior a este". Eu não acreditava, como que alguém depois de apresentado a isso, rejeita isso. Mas claro, tudo isso está diretamente relacionado com o circulo social, a época e recursos da época. Assim que muito das coisas qu eu fazia chocava meus pais. E assim uma geração choca a outra e segue seu caminho.

Depois do choque foi lindo realizar. E agora alguns anos depois disso, eu acho que a definição de adulto é exatamente esta, quando tudo dentro de você se estabiliza. E isso organicamente acontece por fazes. Pouco a pouco, do mais simples ao mais complexo se estabiliza. começando pelo corpo até o Antakarana ou o aparelho interno, o sistema mental-emocional-intuitivo. Então, respondendo a minha própria dúvida, não existe uma linha, existem linhas.

E curiosamente, não sei se por experiência ou por coragem, mas daqui de um lugar estável, e consigo vislumbrar o que é a velhice e qual o desenrolar de agora com muita clareza e calma eu consigo entender o que é a velhice muito diferente de quando eu era jovem tentando vislumbrar a adultice.

Papo de velho. Tchau