Veda Vitão
O pior que pode acontecer
O pior que pode acontecer a um ser humano, eu acho, é não ter a concepção do infinito. Ou melhor, não entender que existe um infinito, uma realidade onde o tempo e espaço não existem.
Claro, é complicado realizar ou entender essa abstração de um lugar sem tempo/espaço as um eterno infinito. Não é essa a pior coisa, sem duvida não tirar um tempo da vida para entender é ruim, mas o que quero mesmo dizer é o seguinte
Imagina uma concepção de vida onde tudo que precisa acontecer, vai acontecer no periodo entre o momento que eu saí de dentro da minha mãe até o momento que eu volto para u útero da mãe terra dentro de uma caixa de madeira. Viver imaginando que isso é tudo que existe é uma tragédia.
É importante entender que nossa experiência enquanto individuo, com um nome, uma família, habilidades e etc. Sim isso tem um período determinado de existência. Logo, nossa personalidade se vai assim como as roupas de criança se vão quando crescemos, os bichos de pelúcia.
Viver imaginando que é só isso deve ser desesperador. Como diz o rapper 50cent "fique rico ou morra tentando". Claro, se a vida acaba agora não tem sentido viver no submundo, numa realidade tão cruel quanto a dele. Pela ideia de que a vida é só aqui e agora, faz todo sentido essa filosofia. Como um Yogi da matéria, que faz o mundo desdobrar a sua vontade apostando o máximo possível, a si mesmo. O mesmo caminho, porém destinos diferentes.
Na minha visão, um cara desse, mesmo com excessos de mulheres e substancias está mais perto da santidade do que muita gente de bem, pastores, padres que fazer da vida religiosa uma profissão. Se o 50 mudar o coração e decidir pelo yoga ele está muito próximo do destino, ele já sabe desistir de si mesmo por algo maior.
Olhando por este lado, que a finitude é do individuo e não da vida em si, que é uma constante, sempre haverá vida. Nossa ideal de existência deveria ser experimentar a si mesmo. Não no sentido egoísta de fazer somente aquilo que lhe é conveniente, mas no sentido de experimentar todo o aparato "mental/emocional/psicológico/físico/hormonal" enquanto expostos a situações inevitáveis.
Muito mais belo do que fingir que está no controle e que é aquele que faz escolhas: Se entregar no fluxo da vida, ser um expectador do que um motorista.
E com essa nossa mania de controle apostar a felicidade no futuro, com a ideia de que se controla o próprio destino. Tem pensamentos como "eu vou fazer isso, isso e aquilo e vai dar certo". No final se esforçou mais do que deveria e como existe a expectativa de um resultado ou fica feliz porque aconteceu, ou se frustra se não.
Não tem a ver com ficar parado, tem a ver com fazer o que se deve ser feito, não porque eu quero, não porque eu escolhi. Mas porque assim é, porque isso deve ser feito. Fim.
Com isso você sai do vicio do tigrinho da felicidade e se encontra na maravilhosa estrada do auto-conhecimento.