Veda Vitão
Onde houver fé que eu leve a dúvida
Estava lá o então presidente na TV falando com toda convicção que o COVID 19 não era nada, uma gripezinha que tomar cloroquina resolve tudo. Com tamanha certeza que é difícil você ver um presidente dizendo essas coisas com convicção, com um médico dando respaldo e não acreditar.
Todo esse show de horrores para ilustrar um curioso estudo: "Efeito Dunning-Kruger" (EDK). É uma relação estatistica entre: acertividade versus confiança. E o EDK faz uma relação direta entre incerteza e acerto, ou seja, quanto mais confiante alquem está de algo, mais provavel que ela esteja errada.
Que direto não ? Mas não é tão contra entuitivo compreender o porque. Quanto mais sabemos de algo, mais especialista somos mais percebemos que existe um vasto campo a ser explorado e mais variaveis a serem consideradas, mas se sabemos pouco de algo, temos uma impressão clara de "saber o suficiente para tomar decisão" quando não dominamos muito um assunto, e somos ultra-otimistas porque superficialmente tudo parece fácil. Talvez em um mundo mental perfeito onda não existem variaveis seja fácil, mas na vida real...
Se você perguntar pra alguem que nunca fez uma horta, se esssa pessoa consegue fazer uma horta sozinho no final de semana. Ela vai imaginar que seria trabalhoso, agaxar, enfiar semente, apalainar, mas parece possível para quem nunca fez. Mas alguem que já fez hortas vai saber que precisa de pegar adubo, revirar terra, esperar a época do ano e etc etc etc. Dominar te faz responder "olha, talvez". Porque voce ta pensando em todas essas variaveis. O Trabalho mental e abstrato não tem precisão
Como diz Bukolski "O problema com o mundo é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, enquanto as estúpidas estão cheias de confiança".
Mas por outro lado, existem vantagems da super-confiança: É confortavel estar perto de alguem assim, temos a sensação de proteção, temos tranquilidade para tomar boas decisões porque eu tenho alguem que sabe. Mas é também perigoso. De fato, é mais fácil ter sucesso a partir da cofiança falsa do que de uma dúvida genuína.
O estudo diz que estar "calibrado" onde nossa certeza é proporcional ao nosso conhecimento só vem com muito tempo, está nos especialistas. Nosso cérebro gasta muita energia tentando avaliar coisas, e com isso preferimos mentalmente cortar caminho e estabelecer um valor arbitrario do que avaliar o quanto de informação temos. E nós tomamos sempre a decisão: Confortável. Relaxar no "eu sei" é uma deliciosa ilusão até ela ser posta a prova.